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Casa do Moinho

É a casa do moinho, na praceta. Uma entre muitas. Abram-se janelas e palavras voarão ...

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29. Ataque de tosse no museu

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Um dos residentes da praceta foi ao fim de 40 dias ao museu Pingo Doce. Foram precisos 40 dias para que tivesse quase tudo bem programado para viver esta aventura em segurança. É um bocado medroso este residente! Fez uma lista de compras relembrando os corredores do dito museu, para não se dispersar; pensou nos adereços agora indispensáveis para essa visita (luvas, máscara, saco com chave do carro+cartão do museu + cartão multibanco+ moeda para o carrinho) e preparou ainda outro saco com carta de condução+documentos da viatura+tm. 

Substituiu as calças de fato de treino por calças de ganga e escolheu as que mais gostava de usar na era a.c..

E partiu à aventura, confessou-nos que com um ligeiro nervosismo.

Só quando saiu do carro, colocou luvas e máscara. Disse-nos que não havia filas para entrar, nem confusão nenhuma lá dentro. Havia sim um desfile de carnaval atípico. 80% dos visitantes do museu usava máscara e luvas e tentava-se adivinhar pelo olhar o medo, a estupefação, o nervosismo, a descontração, o optimismo, o pessimismo, ... É um jogo triste, este!

Bem, havia de tudo (disse-nos) e fez as compras calmamente. Trouxe tudo o que levava na lista e ainda uns extras que fariam sorrir a malta lá de casa. Porém, nem tudo são rosas e, sendo um residente da praceta, tinha que lhe acontecer algo, no mínimo, totalmente desaconselhável em tempos de covid.

Isto de andar de máscara dá calor, diminui o campo de visão e é um pouco claustrofóbico e parece que também pode dar tosse. A sério? Um ataque de tosse? Daqueles que uma pessoa deixa de conseguir falar e quase que se vomita toda? Não há direito, disse-nos, mas foi mesmo o que lhe aconteceu. Mesmo ali no corredor das espirais! Penso que terá sido o entusiasmo, uma vez que estas tinham acabado, havia já uma semana, na casa da praceta onde mais se comem espirais. 

Foi remédio santo para que o corredor ficasse deserto em poucos segundos e olhos penetrantemente acusadores e lancinantes se fixassem na sua tosse. Caramba, noutros tempos qualquer pessoa ajudaria e traria uma garrafa de água imediatamente. Pode-se morrer de um ataque de tosse, sabiam? E estamos a falar de um residente na praceta. Exemplares únicos da espécie humana. Nem uma pancadinha nas costas....

Pois, mas as 2 velhotas que se enganaram (uma agarrou sem luvas no carrinho do "tosse que nem um desgraçado" e outra mandou lá para dentro,por engano, 3 curgetes sem saco), a essas ninguém disse nada. E o pobre, que sofreu um ataque de tosse, de vergonha, de tudo e mais alguma coisa, resistiu e nem sequer tirou a máscara! 

Chegou exausto à praceta, que hoje cheira a estrume que tresanda. Encheu a pia com água e lixívia e lá foi tentando desinfetar alguns itens mais susceptíveis de contaminação. Resultado, lixívia nas calças de ganga preferidas. 

Bardamerda para o Covid e para as luvas, e para as máscaras e para os sacos e saquinhos....

Ainda dizem que isto está para durar e vamos ter de andar sempre de máscara por causa do resfriadinho que anda aí!

Só valeu por uma coisa, disse-nos:

-- Fiz uma extravagância! Comprei um carrinho de compras, para não ter de usar o carro quando vou ao museu. Uma cena amiga do ambiente, percebem? 

Sim, nós até percebemos, mas soubemos por portas travessas que a filha adolescente quando viu o dito "carrinho de compras" disse assertivamente:

-- Nem penses em alguma vez ires às compras comigo munido dessa coisa ou sequer seres visto pelos meus amigos com essa coisa foleira....

Ele há dias que mais vale estar quieto e não tirar as calças de fato de treino...

Olha, vai mas é sentar-te a beber uma cervejinha e a comer amendoins (dissemos-lhe) que amanhã é outro dia, e tão cedo não tens de voltar ao museu.

Como é que uma pessoa há-de gostar de visitar museus???? 

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